Camila
Zanette
Entrei na ADAE
acredito que em 1991, faz um tempão!! Naquela época era ainda FAFU (Fundo de
Apoio a Formação Universitária). Fazíamos encontros mensais e eventualmente nos
encontrávamos com o pessoal de Passo Fundo. Éramos apenas dois grupos. A Neli e
o Don Osvino faziam esse meio de campo com a Marta de Passo Fundo. Nos
encontros tínhamos um orientador acadêmico, o Professor Odone Quadros, e discutíamos
temas trazidos por ele. Durante esses encontros éramos estimulados a fortalecer
a amizade e cooperação no grupo e a solidariedade. Quando iniciou o trabalho
voluntário na Vila em São Leopoldo eu estava me formando.
Quando fui
selecionada para a ADAE, estava cursando o segundo ano do ensino médio, fiz
cursinho em 1993 e entrei no Curso de Fisioterapia em 1994 no IPA. Me formei em
1999/II. Iniciei minha trajetória em busca de emprego e qualificação. Antes de
me formar fiz um concurso para monitor da antiga FEBEM, agora FPE (Fundação de
Proteção do Menor). Trabalho no Abrigo Cônego Paulo de Nadal faz 12 anos. É um
abrigo para pessoas com deficiência física e mental. Em 2003 comecei a
trabalhar na Kinder, onde atendo crianças e adolescentes com deficiências múltiplas.
Realizei cursos de especialização em vinesiologia pela UFRGS e acupuntura na
CBES, Bobath Básico pelo Ceneffi, entre outros.
Ainda mantenho contato com as pessoas que freqüentaram
a ADAE na mesma época que eu. Fiz excelentes amigos. Infelizmente o tempo hoje
é cada vez mais escasso para todos e acabamos nos comunicando por e-mail.
Fabiana
Ribeiro
Meu nome é Fabiana Ribeiro, tenho 29 anos,
sou natural de Porto Alegre/ RS, sou Graduada na área de Pedagogia Educação
Infantil e Anos iniciais. Concluí o curso no II semestre de 2007. Sempre tive
envolvimento com trabalho social, trabalhei em instituições públicas e
privadas, em uma das instituições trabalhadas atendi crianças em situações de
risco e de abandono. Em minha paróquia
de origem fui catequista de primeira Eucaristia e Crisma
para jovens e adultos, isto me fez uma pessoa com valores cristãos de cuidado e
amor ao próximo.
A grande realidade é que não conseguia
cursar mais do que 02 ou 03 cadeiras. Tiveram épocas que tive que optar em
comer um lanche ou tirar Xerox. Nunca desanimei, mas sabia que chegar a
conclusão do curso seria muito difícil. Certo dia uma grande amiga que já era
auxiliada me indicou para a seleção. Onde fui selecionada, somente neste
momento a grande certeza de concluir o curso surgiu.
Atuei trabalhando no grupo do Reforço
escolar com as crianças da Vila Sta. Marta localizada no Bairro Campina em São
Leopoldo. Perceber o olhar das crianças sua satisfação e encantamento
confirmavam ainda mais a certeza de que o bem que tu realizas para o outro é
uma via de duas mãos e que automaticamente faz-nos um bem ainda maior também.
Percebi que através da minha profissão outros tantos poderiam ter um sábado
mais feliz, um aprendizado diferenciado. Tudo isto é muito significativo e com
a troca de saberes, experiências, faz-nos crescer, nos mover, somos alguém na
essência.
Atualmente, moro na cidade de Três
Coroas/RS no pé da Serra gaúcha como dizem... Pois há um ano e meio passei em
um concurso público, para minha alegria em primeiro lugar, fui chamada e atuo
como professora da rede municipal de ensino trabalhando com uma Pré-escola.
Tenho 25 alunos todos na grande maioria filhos de industriários do ramo
calçadista. Trabalhar neste local foi um grande diferencial na minha vida.
Agradeço a Deus pelo dom da Vida, por todas as pessoas que fizeram e fazem
parte da minha vida e principalmente da minha conquista, mas o meu grande
agradecimento se estende à Associação de Apoio aos Estudantes (ADAE) assim como
a todos os membros da Studienförderung que foram os responsáveis
por tal conquista e por tantas outras que irão de vir. A todos e a todas o meu muito, mas muito
obrigada mesmo. E tenham certeza que através da minha vida, minha profissão e
minhas energias quero proporcionar que outros estudem, outros tenham acesso ao
ensino assim como eu tive e consigam realizar um sonho, que hoje para mim se
tornou realidade.
Fátima
Apollo
Sou
Fátima Apollo, ingressei na ADAE no ano 2000. Entrar neste projeto, que além de
me proporcionar cursar uma universidade em poucos anos, me tornou um ser humano
melhor, mudou significativamente meus conceitos sobre muitos assuntos. Me
tornei uma pessoa mais solidária e engajada. Hoje, sempre que posso, participo
de ações que beneficiem o próximo. Me formei em 2006, Licenciatura Plena em
História pela Unisinos (São Leopoldo/RS), e desde 2007 atuo na área, em alguns
momentos como contratada e atualmente como efetiva. Mas, não parei por aí... a
ADAE me mostrou que somos capazes de ir muito além do que imaginamos. Hoje,
faço pós graduação-especialização Metodologia do Ensino de História e
Geografia, e assim que acabar o mestrado me aguarde. Atualmente moro em
Bombinhas/SC, mas sempre que possível estou no Rio Grande do Sul. O projeto na
Vila Santa Marta em São Leopoldo, fez eu conhecer grandes personagens da micro
história e com a troca de experiências com os moradores, as crianças e com
colegas da ADAE, me tornei uma pessoa melhor, mais justa e motivada.

Fernanda dos Santos
Jorge
30
anos, Contadora (FAPA – 2008/2) - especialista em Controladoria de Gestão
(UFRGS – em conclusão).
Conheci a ADAE no final de 2002,
após ter sido indicada por Sabrina Deichel, na época minha colega de faculdade
e atualmente uma grande amiga e colega de profissão. Egressa do ensino público, tentei
por duas vezes ingressar na Faculdade Federal, mas não obtive sucesso. Ainda
disposta a ter uma formação superior, em 2002, prestei vestibular para Ciências
Contábeis na FAPA, onde por dois semestres cursei um número reduzido de
disciplinas, pagas com bastante dificuldade com o salário que recebia
trabalhando em uma instituição de microcrédito. Sou a primeira pessoa da minha
família a concluir o ensino superior. Como boa parte dos brasileiros, minha
origem é humilde, venho de uma família de quatro irmãos e mãe solteira e por
esse motivo nunca pude contar com a ajuda familiar para custear meus estudos. De 2002 a 2008 atuei na Vila Santa
Marta, em São Leopoldo, onde desenvolvia atividades direcionadas a crianças em
idade pré-escolar. Esse período foi extremamente valioso e gratificante para
mim, pois tive a oportunidade de conviver com crianças que tinham uma condição
social muito próxima com a que eu tive na infância. Por vezes era inevitável
constatar que fazíamos diferença na vida daquelas crianças que nos recebiam
todos os sábados com um largo sorriso e um demorado abraço. Formei-me Contadora no dia
14/02/2009, durante a faculdade comecei a estagiar na Sociedade Brasileira de
Computação, onde ainda estou atualmente, agora como Supervisora de Finanças e
Contadora. Em meio aos estudos, trabalho e
atividades na Adae, sinto que adquiri uma maturidade extremamente importante
para a formação do meu caráter. O grande diferencial que a ADAE
trouxe para minha vida, não se resume apenas ao auxílio financeiro, minha formação
foi diferenciada, com valores pautados na solidariedade e no amor ao próximo.
Essa é a semente que a ADAE planta e que espero continue sendo disseminada por
muitos e muitos anos. É um orgulho fazer parte desse grupo.

Pedro Rosa dos Santos,
33 anos, formação acadêmica Pedagogia, Especialização em Psicopedagogia, processo
de conclusão.
“Você sempre tem opção. Pode continuar no mesmo
lugar, lamentando-se e reclamando, ou arriscar-se a mudar seguindo em frente
pronto para conhecer um novo mundo de possibilidades” (Furlan).
Tudo em nossa vida passa a ter significado maior, quando definimos metas
e objetivos, mas especialmente quando é nos oportunizado condições para fazer
algo diferente. Este algo diferente pode ser entendido, como se importar com quem
esteja próxima de nós, em nossas relações de trabalho, família, comunidade. Fui
privilegiado e oportunizado em momentos importantes de minha vida, quando perdi
o interesse pela trajetória universitária, pois muitas vezes é necessário optar
em estudar ou sobreviver, mas foi neste momento de minha vida, que um grande
amigo Silvio Alexandre, me falou da ADAE, e como era sua constituição.
Primeiramente relutei, pois até este momento não imaginava como isso mudaria
minha vida, foi então que em 2001, depois de três anos fora da universidade que
ingressei na ADAE, e fui oportunizado de um mundo de possibilidades. Não posso
negar que o apoio financeiro foi crucial na conclusão de meu curso, mas o
aprendizado que tive é incomensurável, a coordenação e seu voluntarismo,
especial agradecimento a Dione Cunha, pela sua dedicação e paciência com todos,
mas o que me impressiona muito é a solidariedade e indistinção do grupo de
alemães, que em momento algum deixou de acreditar e investir nos estudantes
brasileiros. Hoje com um pouco mais de maturidade entendo os por quês? Por que
hoje sou um sujeito, que acredita e investe mais nas pessoas, aposto sempre na
redenção e retomada de rumos na vida de quem convivo, pois atualmente sou
Diretor de um Centro de Atendimento de Semiliberde, na cidade São Leopoldo, com
atendimento sistemático a 20 adolescentes em conflito com a lei. O trabalho que
coordeno possui uma equipe de 16 profissionais, entre eles, psicólogos,
Assistente Social, Pedagogo e Educadores, construído e elaborando junto com
estes adolescentes seu Projeto de Vida, com parâmetros em nossas vivências, mas
me respaldo muito em minha trajetória de trabalho social, especialmente o aprendizado,
com o grupo/família ADAE. Não importa muito como ingressei na ADAE, mas sim o que me tornei após
esse ingresso, pois tenho total certeza que o que faço hoje em minha vida
particular, profissional e social tem as bases solidificadas, a partir do
investimento, credibilidade e suporte recebido da Associação. Poderia tecer agradecimentos, agradecimentos...mas uma das maneiras mais
eficazes de agradecer é compartilhando meu
conhecimento e trabalho com toda minha comunidade. Abraços.