Minicursos disponíveis no XX Instituto

Para se inscrever no XX Instituto da Abralin, não é necessário ser associado. A data limite para inscrição nos minicursos se estende até a véspera do início do respectivo curso OU até se esgotarem as vagas.
   
 Alertamos que:
1)  não é possível inscrever-se em dois minicursos em um mesmo turno;
2)  depois de realizada a inscrição, só faremos alterações na escolha dos cursos no período de 24 a 28 de janeiro, se houver vagas disponíveis;
3)  em caso de desistência do inscrito, o valor da inscrição não será devolvido;
4) os valores dos "pacotes" não valem para inscrições feitas separadamente: se alguém se inscreve em um curso e depois resolve se inscrever em mais um, o valor pago será aquele referente a um curso por inscrição. Portanto, fica mais barato fazer a inscrição para um pacote (dois ou três cursos, concomitantemente, por exemplo) do que fazer a inscrição para um curso e, em seguida, para outro;
5) se o curso for cancelado, o inscrito será avisado por e-mail e poderá, nesse momento, escolher outro curso ou receber o valor da inscrição de volta. Frisamos que somente nesse caso - e em nenhum outro - faremos trocas ou devolução do dinheiro da inscrição.

Preços para Inscrição no XX INSTITUTO DA ABRALIN


15/09 a 30/09

01/10 a 30/11

A partir de 01/12

1 minicurso

R$ 50,00

R$ 70,00

R$ 100,00

2 minicursos

R$ 90,00

R$ 120,00

R$ 160,00

3 minicursos

R$ 130,00

R$ 160,00

R$ 190,00

4 minicursos

R$ 160,00

R$ 190,00

R$ 250,00


A relação dos minicursos do XX Instituto já está disponível, no final desta página. Observe-se que a tabela que contém as informações está organizada de modo que os minicursos a serem minstrados entre 07 e 09 de fevereiro estão dispostos antes daqueles que serão ministrados no período entre 14 e 18 de fevereiro. Em cada um desses dois grupos são listados primeiramente os cursos que acontecerão no período da manhã (M), das 8h às 12h e, em seguida, aqueles que serão minstrados no período da tarde (T), das 14 às 18h. Não haverá cursos no período noturno. Os nomes dos ministrantes estão organizados segundo a ordem alfabética do sobrenome de cada um.

Importante:

1) a língua na qual cada curso será ministrado é a mesma na qual seu programa está redigido, exceto em alguns poucos casos específicos, assinalados na relação dos cursos;

2) alguns poucos cursos do período compreendido entre os dias 14 e 18 terão duração menor, sendo ministrados nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro. A relação abaixo informa quais cursos são esses. Todos os demais cursos deste grupo serão ministrados nos dias 14, 15, 16, 17 e18 de fevereiro. Ressalte-se que os cursos previstos para o perído de 07 a 09 serão ministrados todos, sem exceção, nos dias 07, 08 e 09 de fevereiro;

3) alguns poucos cursos ainda não têm o programa informado porque estamos no aguardo do envio dessa informação pelos seus  ministrantes. Tão logo recebamos os programas faltantes nós os disponibilizaremos. Asseguramos que, independentemente de terem ou não enviado os programas, todos os cursos constantes da relação abaixo estão confirmados;

4) Além dos cursos já relacionados, estamos ainda em processo de negociação com alguns professores para confirmar sua presença no XX Instituto. Este é o caso do prof. Mark Steedman, razão pela qual solicitamos aos associados não se inscreverem no curso dele ainda, até que a Abralin divulgue, neste site e via boletim, o final do processo de negociação. Pedimos também aos associados que aguardem para se inscrever no curso do prof. Adamantios Gafos: sua presença está confirmada, mas ainda estamos verificando a preferência do professor pelo período de 07 a 09 ou de 14 a 18 de fevereiro, fato que deverá se resolver em breve.
 
 

ABRALIN CURITIBA 2011 – XX INSTITUTO

07 a 09 de FEVEREIRO: Minicursos


MANHÃ (8h-12h)



M

BONVINI, Emilio (Laboratoire Langage, Langues et Cultures d’Afrique Noire)

Motivações linguísticas e extralinguísticas em interação: a história da lingüística africana à luz da epistemologia

O objetivo deste curso é duplo: (a) traçar esquematicamente a história dos conhecimentos des línguas africanas desde a descoberta das línguas do continente (meados do século XV) até hoje; (b) avaliar, do ponto de vista epistemológico, os mesmos conhecimentos, salientando principalmente: (i) a relação do autor/descritor com o seu próprio "objeto", quer dizer a língua; trata-se de explicitar as ideias subjacentes a cada construçâo do "objeto língua" por parte do autor/descritor; (ii) as motivações linguísticas e extralinguísticas específicas de cada época, em particular as interferências de ordem antropológica; (iii) o acréscimo dos conhecimentos linguísticos adquiridos na transição de uma época para a outra, cuja consolidação, no espaço e no tempo, constitui a linguística africana enquanto sub-disciplina específica de uma disciplina maior que a abrange, a linguística, ou sequer, as ciências da linguagem. O continente africano inclui cerca de 2000 línguas de uma diversidade linguística surpreendente. Infelizmente, a maioria delas são aínda cientificamente desconhecidas. Historicamente falando, as línguas africanas foram consideradas diferentemente : num primeiro tempo (± 1440-1600) como recursos práticos de comunicação, depois (± 1600-1800) como instrumento de salvação das almas, em seguida (± 1800-1950) como um obstáculo à ''civilização" colonizadora. No segunda metade do século XX, houve uma mudança radical : em seguida a internationalização da pesquisa, a diversidade das línguas africanas foi privilegiada e cientificamente valorizada até contribuir diretamente à renovação da linguística atual, principalmente no campo da fonologia autosegmental, mas também no campo da syntaxe e da semántica. O que é funesto, ao plano científico, é o fato que muitas línguas africanas são atualmente sob a ameaça iminente de extinção.



M

COLLISCHONN, Gisela (UFRGS – CNPq)

Análises em Teoria da Otimalidade: das restrições ao ranking

O curso pretende fornecer algumas ferramentas básicas de análise em Teoria da Otimalidade (Prince e Smolensky, 1993/2004, McCarthy e Prince, 1995,1999), tendo como tema central a discussão sobre restrições e seu funcionamento. Focaliza a argumentação de ranking, a análise em tableaus (tableau de violações, tableau comparativo e tableau combinado (McCarthy, 2008) e o ranqueamento de restrições através dos algoritmos de Demoção Recursiva de Restrições (Tesar e Smolensky, 1998, 2000) e de Redução de Condições Elementares de Ranking (Prince e Brasoveanu, 2010). Serão exploradas as possibilidades de análise através do programa OT-Soft (Hayes, Zuraw e Tesar, 2003) e de outros programas de análise (PRAAT, OT-Help).



M

FERREIRA, Marcelo (USP)

Semântica de Eventos

O curso tem por objetivo apresentar um sistema interpretativo composicional baseado em uma ontologia que inclui eventos como indivíduos. Iniciaremos com a implementação do programa (neo-)davidsoniano para as operações de predicação verbal e modificação adverbial e sua integração com questões de tempo e aspecto. Em seguida, discutiremos algumas áreas em que tal programa tem se mostrado frutífero, como quantificação, pluralidade (distributividade/cumulatividade), e decomposição lexical (interação entre certas classes de predicados e modificadores adverbiais).



M

FIORIN, José Luís (USP)

Discurso, estrutura e história

Paul Ricoeur diz que o sentido do texto se organiza no jogo interno de dependências estruturais e nas relações com o que está fora dele. O primeiro aspecto faz dele uma organização lingüística; o segundo, um objeto histórico. Esses dois aspectos não se excluem, mas se complementam. Assim, no âmbito de uma teoria do discurso, o desafio está em conciliar, numa mesma perspectiva teórica, o estudo dos mecanismos intra e interdiscursivos de produção do sentido. É o que procurará fazer este curso.



M

FRANK, Robert (Yale University)

Recursion in Syntactic Derivations : introduction to Tree Adjoining Grammar

Recursion has recently come to be viewed as one of the defining properties of the human capacity for language.  However the most widely assumed models of grammar provide for recursion only
indirectly.  For instance, the minimalist operations of internal and external merge are directly implicated in the creation of hierarchical structure and accomplish displacement, but require multiple
applications in order to yield recursion. This course will focus on a model of grammatical derivation, rooted in the Tree Adjoining Grammar formalism, whose basic operation, adjoining, is directly linked to the generation of recursion.  After surveying the basics of this recursion-centered model, we will explore its ability to derive substantive properties of human grammar including locality constraints
on long-distance movement and agreement, asymmetries in quantifier scope, and restrictions on parametric variation.  As a mildly context-sensitive grammar formalism, TAG also imposes well-understood restrictions on the nature of grammatical computations.  The TAG-based model of derivation therefore allows us the opportunity to study the interplay between precisely defined notions of computational efficiency and grammatical explanation.



M

LIDZ, Jeffrey (University of Maryland)

Learning in Generative Grammar

This course examines explicit models of learning in the context of generative syntax. We explore the inferential processes that support first language acquisition by examining how children leverage their experience in acquiring a grammatical system. We focus on three components of a learner: (1) the space of possible grammatical representations, (2) mechanisms of sentence processing that shape the learner’s encoding of their input, (3) statistical inference mechanisms that relate the input to the space of possible representations. We will explore how these three components interact in shaping the acquisition of syntax and semantics. Empirical domains will include the acquisition of phrase structure, binding, quantification, argument structure and filler-gap dependencies. the course will situate theories and findings in a broadly cross-linguistic context, using experimental data from English, French, Japanese, Kannada, Korean, Russian and Tsez.



M

MOTTA-ROTH, Desirée (UFSM)

Gêneros discursivos: teoria e ensino

Os objetivos do presente minicurso são: 1) debater uma abordagem teórica que explicite eventos discursivos em contextos de cultura específicos, e 2) sua relação com uma abordagem pedagógica que possibilite o engajamento do aluno em práticas discursivas significativas. Para tanto, trabalharemos algumas ferramentas básicas de análise crítica de gênero. Partiremos do pressuposto de que a textualização da experiência humana envolve a língua em uso: a mobilização, ao mesmo tempo, de léxico-gramática, texto, registro, gênero e discurso, em função da interdependência entre esses vários planos. Do mesmo modo, a produção de sentido implica a percepção das relações entre texto e contexto, da conexão entre experiência individual, experiências sociais e condições sócio-históricas de produção, distribuição e consumo dos textos na sociedade (Freire, 2000; Fairclough, 1989). Se aprender uma língua é aprender a analisar discursos e a interagir pela mediação da linguagem, então qualquer aprendizagem ou ensino de práticas discursivas se beneficia de três momentos (Bakhtin, 1929/1995): 1) a identificação do contexto (as condições concretas em que formas e tipos de interação se realizam); 2) a identificação dos gêneros discursivos (em ligação estreita com o sistema de atividades de que fazem parte); 3) a análise das formas da língua (no seu contexto de ocorrência).

 

Referências

MOTTA-ROTH, D. Para ligar a teoria à prática: roteiro de perguntas para orientar a leitura/análise crítica de gêneros. In: MOTTA-ROTH, D.; CABAÑAS, T.; HENDGES, G.. (Orgs.). Análises de textos e de discursos: relações entre teorias e práticas. Santa Maria: PPGL Editores, 2008. p. 243-272.

MOTTA-ROTH, D. Análise crítica de gêneros: contribuições para o ensino e a pesquisa de linguagem. DELTA. Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada (PUCSP), v. 24, p. 341-383, 2008.

MOTTA-ROTH, D. Escrevendo no contexto: contribuições da LSF para o ensino de redação acadêmica. In: 33rd International Systemic Functional Congress - LAEL/PUCSP., 2007, São Paulo, SP. Barbara, Leila and Tony Berber Sardinha (Eds.). 2007. Proceedings of the 33rd International Systemic Functional Congress (PUCSP, São Paulo, Brazil). São Paulo : LAEL/PUCSP, 2007. p. 828-860. Disponível em:http://www4.pucsp.br/isfc/proceedings/Artigos%20pdf/40acd_mottaroth_828a860.pdf. Acesso em:11 out. 2010.

MOTTA-ROTH, D. O ensino de produção textual com base em atividades sociais e gêneros textuais. Linguagem em (Dis)curso, v. 06, p. 495-517, 2006

MOTTA-ROTH, D. Questões de metodologia em análise de gêneros. In: Acir Mário Karwoski; Beatriz Gaydecka; Karim Siebeneicher Brito. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexões e ensino. 2a. ed. revista e aumentada..Rio de Janeiro: Lucerna, 2006. p. 145-163.



M

NEGRÃO, Esmeralda (USP)

Fundamentos de Teoria e Análise Sintática

O curso tem por objetivo discutir dois fenômenos centrais no estudo da sintaxe das línguas naturais - o domínio médio e o domínio passivo – e sua relação com o modo como argumentos são introduzidos na estrutura argumental e realizados na estrutura sentencial. Para isso, o curso trará questões introduzidas em textos clássicos da Teoria Gerativa que tratam desse tema e tentará estender suas propostas de análise a fenômenos da gramática do português brasileiro.



M

PAGANI, Luiz Arthur (UFPR)

Cálculo de Lambek: uma pequena introdução às Gramáticas Categoriais

O objetivo deste minicurso é o de apresentar uma rápida introdução às Gramáticas Categoriais, mais especificamente através da versão conhecida como Cálculo de Lambek. A primeira versão de Gramática Categorial foi proposta em 1935 pelo lógico polonês Kazimierz Ajdukiewicz, numa proposta de tratar a conexidade sintática de forma análoga à do cancelamento de frações. Assim, para uma sentença (S) como "Pedro corre", se sabemos ainda que "Pedro" é um nome (N), então não precisamos dizer que "corre" é um verbo; podemos dizer que ele é uma expressão que se combina com um N (antes) para resultar num S: N\S, em notação categorial escolhida por Lambek (na notação de Steedman, a mesma categoria seria notada como S\N, porque o resultado sempre fica antes e o argumento depois). A vantagem do Cálculo de Lambek, proposto num texto de 1958, é a de mostrar que a Gramática Categorial de Ajdukiewicz era uma lógica parcial, mas que se fosse submetida à Dedução Natural, ela poderia se tornar uma lógica integral, de forma que não seria necessário postular arbitrariamente muitas operações propostas por lingüistas e filósofos que se interessaram pelo modelo de Ajdukiewicz. Além disso, outra vantagem do Cálculo de Lambek é que van Benthem descobriu uma correlação entre as operações categoriais sintáticas e suas contrapartes semânticas, através do Cálculo-Lambda; assim, as Gramáticas Categoriais ainda oferecem uma alternativa bastante precisa para se executar a proposta fregeana de composicionalidade.



M

RAJAGOPALAN, Kanavillil (UNICAMP)

A política linguística e sua importância na atualidade

Objetivo: O curso tem por objetvo apresentar os princípios básicos da politica lingüística e salientar sua importância num mundo que se encontra em meio ao processo de globalização.

Conteúdo programático: (a) as múltiplas acepções do termo ‘politica linguística’; (b) os diferentes níveis de elaboração e de execução das políticas linguisticas; (c) as políticas lingüísticas e suas relações com as questões macro-políticas e geopolíticas; (d) a política lingüística e suas relações com a ciência lingüística; (e) a atualidade e a urgência de certas questões da ordem da política lingüística.

Metodologia: O curso será ministrado por meio de aulas expositivas, com amplo espaço para discussões e troca de idéias entre os participantes.





T


TARDE (14h-18h)

 

ASSUNÇÃO, Carlos (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

História da gramática da língua portuguesa - dos primórdios a 1822.


CONTEÚDOS
1. Introdução
2. A Antiguidade
3. A Idade Média (476 – 1453)
4. O Renascimento e o Humanismo
4.1. Grammatica da Lingoagem Portuguesa (1536) de Fernão de Oliveira
4.2. Grammatica da Lingua Portuguesa (1540) de João de Barros
4.3. Gramáticas latinas
5. O século XVII
5.1. A Verdadeira Grammatica Latina (1615) e o  Methodo Grammatical
para todas as Linguas (1619) de Amaro de Roboredo
6. O século XVIII
6.1. Regras da Lingua Portugueza, espelho da lingua latina (1721) de
Jer. Contador de Argote
6.2. Novo Methodo da Grammatica Latina (1752) de António Pereira de  Figueiredo
6.3. Novo Methodo de Grammatica Portugueza (1760-1768) de João
Pinheiro Freire da Cunha
6.4. Logique et Principes de Grammaire (1769) de César Chesneau Du Marsais
6.5. Arte de Grammatica da Lingua Portuguesa (1770) de António José
dos Reis Lobato
6.6. Cours d'étude pour l'instruction du prince de Parme (1775) de
Étienne Bonnot de Condillac
6.7. Gramática Filosófica da Língua Portuguesa (1783) de Bernardo de
Lima e Melo Bacelar
6.8. Methodo Grammatical resumido da lingua portugueza (1792) de  João
Joaquim Casimiro
6.9. Rudimentos da Grammatica Portugueza (1799) de Pedro José da Fonseca
6.10. Arte de Grammatica Portugueza (1799) de Pedro José de Figueiredo
7. O século XIX
7.1. Grammatica Portugueza (1804) de Manoel Dias de Souza
7.2. Epitome da Grammatica da Lingua Portugueza (1806) de António de
Moraes Silva
7.3. Grammatica Philosophica da Linguagem Portugueza (1818) de João
Crisóstomo do Couto e Melo
7.4. Elementos de Grammatica Portugueza (1819) de Francisco Soares Ferreira
7.5. Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza (1822) de Jerónimo
Soares Barbosa




T

BERTRAND, Denis (Université Paris VIII)

Course Title: Sémiotique de la ligne

L'étude sémantique initiale des différentes acceptions du mot "ligne" conduira à une réflexion générale sur la problématique de la  ligne dans les champs plastique et scriptural, dans la perspective des
avancées de la sémiotique contemporaine : langages de la ligne, interrogations sur la
typologie des lignes (ligne contour, ligne creuse, ligne virtuelle, ligne lieu ­ selon les propositions du sémioticien belge Francis Edelin), arrêt sur la ligne serpentine, analyse d¹¦uvres dessinées,
confrontation ­ autour de la ligne ­ du graphisme et du dessin. Ces analyses donneront lieu à une réflexion plus générale sur les propositions et les promesses de la sémiotique tensive.




T

CANÇADO, Márcia (UFMG)

Estudos na Interface Semântica Lexical e Sintaxe Lexical do PB

Este curso tem como primeiro objetivo fazer uma introdução aos estudos sobre estrutura argumental, mais especificamente, às propostas sobre papéis temáticos de Dowty (1991), sobre estrutura de predicados primitivos de Levin e Rappaport (2005) e sobre estrutura sintático-lexical de Hale e Keyser (2002). Ainda, baseada nesses autores, pretendo mostrar propostas minhas e de orientandos, sobre a estrutura argumental de classes verbais no português brasileiro, valendo-me de um extenso banco de dados já analisados. Os temas centrais a serem discutidos sobre o PB são a noção de argumentos, complementos e adjuntos; as representações lexicais, tanto sintáticas como semânticas, de algumas classes verbais; e as alternâncias verbais.




T

DIONÍSIO, Angela Paiva (UFPE)

Gêneros Textuais: multimodalidade, tecnologia e retórica

Em ambientes de aprendizagem cada vez mais permeados pelos avanços tecnológicos associados à disponibilidade dos membros da comunidade escolar a utilizarem os recursos existentes em suas práticas pedagógicas, é fundamental atentar para as implicações entre tecnologia e retórica, visto que a relação entre ambas exerce papel fundamental na construção dos gêneros textuais e os recursos que os constituem afetam os usuários. Partindo do princípio de que os recursos semióticos que constituem os gêneros podem ser vistos como possibilidades tecnológicas (affordances), este curso discutirá como a utilização destas possibilidades poderá servir como elemento direcionador ou inibidor no processamento cognitivo do aprendiz.




T

MAIA, Marcus (UFRJ)

Sintaxe Experimental

O curso iniciará discutindo os níveis de representação epistemológica, psicológica e neurológica dos construtos lingüísticos. Em seguida, será desenvolvida uma tipologia dos métodos de pesquisa utilizados nas ciências e na Linguística, em particular, tais como o método etnográfico, o método da elicitação, do julgamento de gramaticalidade/aceitabilidade, concentrando-se, então, no método experimental, para caracterizar suas propriedades (hipóteses explícitas, variáveis independentes e dependentes, design fatorial, sujeitos, tarefas objetivas). Revisaremos diferentes métodos psicolinguísticos on-line e off-line, tais como os paradigmas de priming/masked priming, decisão lexical, leitura/audição automonitoradas, julgamento imediato de gramaticalidade/aceitabilidade, detecção de incongruência, rastreamento ocular (eye-tracking). Finalmente, analisaremos diferentes experimentos levados a efeito na literatura internacional e nacional a respeito da computação de palavras e frases. Abordaremos questões tais como o processamento no interior do vocábulo, o processamento da correferência, o processamento de categorias vazias e da estrutura argumental, nas interfaces sintaxe-semântica e sintaxe/prosódia.




T

PAGOTTO, Emilio (USP)

Introdução à Teoria da Variação e da Mudança

No curso se pretende discutir alguns problemas teóricos e metodológicos referentes ao estudo da variação e mudança lingüística. Utilizando-se preferencialmente de exemplos do português brasileiro, se abordarão conceitos como os de variável lingüística, variantes lingüísticas, sistema heterogêneo, encaixamento lingüístico e encaixamento social, buscando-se observar como são operacionalizados na pesquisa, à luz da interação com modelos teóricos da lingüística.




T

RONCARATI, Cláudia (UFF/CNPq)

Referenciação e sentido: um enfoque aplicado

O curso, concebido a partir de criteriosa pesquisa empírica, insere-se no domínio da linguística textual sociointerativamente orientada e em alguns princípios do sociofuncionalismo. De caráter inédito em suas projeções teóricas e metodológicas, desvenda, com rigor científico, os passos processuais da instigante construção de cadeias referenciais, aplicando-os em variados gêneros e tipos textuais da cultura letrada e da cultura eletrônica. Destina-se a um amplo público, disponibilizando aos profissionais da área - professores de línguas, graduandos e pós-graduandos em letras e ciências da linguagem e a todos que se interessam pelo fenômeno textual - ferramentas ou dispositivos analíticos que permitem melhor apreender os processos configuracionais da arquitetura semântico-discursiva dos textos. O curso leva os participantes a encararem sob uma nova luz a organização informacional, propondo a ampliação de alguns dos limites usualmente atribuídos ao fenômeno da referenciação. Com base em um conjunto de estratégias de referenciação presentes em cadeias referenciais lineares, multilineares e híbridas, demonstra de que modo a fabricação dessas cadeias associa-se à organização tópica, a processos de ativação, reativação e desativação e à categorização e recategorização dos objetos de discurso, constituindo-se, desse modo, em dos mecanismos facilitadores da construção de sentidos. O curso levanta, ainda, questões epistemológicas relativas ao escopo teórico e aplicativo das cadeias referenciais no âmbito dos estudos da referenciação.


14 a 18 de FEVEREIRO: Minicursos


XXX MANHÃ (8h-12h)




M

BORER, Hagit (University of Southern California)

In a word: the nominal continuum

Within a syntactic approach to morphology, complex words are but a type of syntactic phrase. Nonetheless, 'words', as the term is typically understood, have been argued to have properties which syntactic phrases do not share. Specifically, and beginning with Chomsky (1970), complex words are taken to display phonological, syntactic and semantic irregularities that are not found in 'syntactic' constituents. To wit, while gerunds echo precisely the properties of the verbs embedded within them, showing neither semantic nor phonological or syntactic irregularities, derived nominals exhibit morpho-phonological irregularities (destroy/destruction) as well as item-specific selection of nominalizer (form-ation vs. adherence etc.); derived nominals allow the omission of their arguments (the destruction; the destruction of the city; the enemy's destruction of the city) and finally, they may have idiosyncratic, non-compositional meaning (e.g., transformation; transportation; government).

 

Within approaches that seek to integrate word formation back into the syntax, it is widely accepted that morpho-phonological irregularities can be captured through late spellout, and are thus not necessarily an impediment to incorporating complex words into the syntax. As concerning the syntactic properties of complex words or their non-compositionality, when attested, however, there is an ongoing debate.

 

This course will be devoted to a case study of precisely these issues, studying, specifically, the syntactic and semantic continuum from (traditional) phrases to 'complex words'. Empirically, we will consider compounds, both primary and so-called synthetic, comparing them to genitive constructions. The relevant continuum, in English, is as in (1):

 

(1a)      Bird call; roof edge; water fountain; glass wall        (primary compounds)

(1b)     truck driving; machine washing; sick looking           (synthetic compounds)

(1c)      man's coat; soldier's uniform; women's makup; children's literature            (Modificational Genitives)

(1d)     [the bird]'s nest; [the roof]]'s edge; [the soldier]'s coat         (Individual Genitives)

(Individual Genitives and Modificatinal Genitives following Munn, 1994):

 

I will suggest that the non-head in each of these phrases is a nominal phrase of differing complexity. Crucially, such differing complexity within the nominal domain is found in other syntactic domains, where, as we shall see, it behaves extremely similarly. Thus a central part of the material covered would involve a comparison of the non-head of both English (and Hebrew) primary compounds and Modificational Genitives, with bare nouns (at times called Number Neutral Nouns) otherwise attested and studied in a broad range of languages, primary among them Brazilian Portuguese.





M


CAVALCANTE, Mônica Magalhães (UFCE)

Linguística de texto e interfaces possíveis

O objetivo geral deste curso é refletir sobre as preocupações básicas da Linguística de Texto nos dias de hoje, relacionando-as com os pressupostos de outras correntes teóricas, principalmente com a Análise de Gêneros, dentro da Linguística Aplicada; as Teorias da Enunciação de Authier-Revuz e de Benveniste; e a Análise do Discurso de orientação francesa. Reconsideraremos as noções de texto, contexto, sujeito e enunciação a partir de diferentes abordagens do texto/discurso; e demonstraremos como os critérios de análise da Linguística de Texto podem ser úteis ao ensino de compreensão e produção de texto em diferentes níveis de escolaridade. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: (i) Refletir sobre os conceitos atuais de texto/discurso, contexto, sociocognição e coesão/coerência; (ii) Caracterizar o tópico discursivo como categoria analítica; (iii) Descrever os processos referenciais e as funções discursivas que eles podem desempenhar; (iv) Analisar diferentes funções dos marcadores de metadiscursividade, segundo fundamentos da Linguística Aplicada; (iv) Definir gêneros do discurso conforme a abordagem da Análise de Gêneros, relacionando-a com pressupostos da AD francesa; (v) Analisar os diferentes tipos de intertextualidade, refletindo sobre as finalidades a que se prestam; (vi) Descrever, a partir de usos específicos, os tipos de heterogeneidade enunciativa, focalizando as conotações e modalizações autonímicas; (vii) Reconsiderar a noção de sequência textual, cotejando diferentes abordagens teóricas.




M

FONT-ROTCHÉS, Dolors (Universitat de Barcelona)

LA ENTONACIÓN DEL PORTUGUÉS DE BRASIL. Prácticas para aprender a analizarla, descripción de los patrones básicos y aplicaciones a la enseñanza de lenguas

En este curso se enseñará cómo analizar la entonación de una lengua, y, en especial, sobre la del portugués de Brasil y del español.

Se trataran los aspectos teóricos básicos: El concepto de entonación. La obtención de los datos del habla espontánea. La constitución de un corpus de habla espontánea en portugués. El método AMH para analizar el habla. Los rasgos más característicos del portugués de Brasil. Los patrones melódicos y, finalmente, sobre las aplicaciones didácticas que podemos desarrollar en la enseñanza de lenguas.

Para ello, cada día realizaremos prácticas en el ordenador, para analizar la propia voz y la propia entonación, como también la de otros hablantes brasileños y españoles. Analizaremos la entonación de distintos hablantes brasileños para ver cuáles son los rasgos entonativos que tienen en común. Finalmente, veremos qué actividades orales se pueden preparar para practicar estos aspectos tan relevantes para aprender una lengua.




M

FRANÇA, Aniela (UFRJ)

Neurociência da Linguagem: teoria e prática

Experimentos em Neurociência da Linguagem utilizando a técnica de extração de potenciais relacionados a evento (ERPs) podem lançar luz sobre pontos controversos da Teoria Lingüística e por esta razão vêm sendo muito utilizados como ferramentas sofisticadas de pesquisa. Este curso oferecerá uma introdução histórico-epistemológica sobre esta area de pesquisa e uma revisão dos estudos mais relevantes no campo do acesso lexical e do processamento de sentença. A aula final terá um cunho prático e contará com a aplicação de um experimento de extração de ERP com um EEG.




M

GOMEZ-IMBERT, Elsa (Université de Toulouse - Le Mirail)

Sistemas de Tons em Línguas da América do Sul

[o curso será ministrado em português, mas o material (handouts, slides, bibliografia) será todo em ingles]

This course will concentrate in one of the most challenging word-prosodic features, whose identification in South American languages, mainly in Amazonia, is relatively recent. It will introduce tonal description and analysis into a non linear framework and a typological perspective, with reference to the properties found in other parts of the world. It will characterize SA systems mainly (although not exclusively) with first hand data and analysis, and will give cues for fieldwork exploration of tones.




M

GRILLO, Sheila Vieira de Camargo (USP/CNPq)

Dimensão verbovisual de gêneros discursivos: as contribuições do Círculo de Bakhtin no diálogo com outras teorias

Inaugurar novos campos do saber ou iluminar novos aspectos em objetos já trabalhados estão entre as principais ambições da esfera científica e de seus agentes. Mais do que ambição, a insatisfação com o estado atual do conhecimento, motor do avanço e da transformação, define e revela o modo de funcionamento da ciência. Hoje, mais do que nunca, os objetos das ciências humanas estão povoados pelo já-dito, já-formulado, já-teorizado, impossíveis de serem ignorados em qualquer área da pesquisa. Portanto, cientes de não sermos o Adão bíblico, ser mítico e desbravador de mares nunca dantes navegados, propomo-nos a retomar teorias que já trataram de enunciados verbovisuais sob outras designações, com vistas a examinar os conceitos e reformulá-los à luz da abordagem bakhtiniana. Como nossa preocupação é com enunciados que conjugam linguagem verbal e visual, selecionamos teorias que tinham em seu escopo metodologias ligadas aos estudos da linguagem. Com base nesse critério, trataremos de seis abordagens teóricas: a semiologia de Barthes, a semiótica da Escola de Paris, a retórica da imagem, a semiótica russa da Escola de Moscou e Tártu, a semiologia peirciana e a semiótica social de textos multimodais. Sem ambicionarmos uma exposição exaustiva de cada enfoque, apresentaremos as contribuições à análise de enunciados visuais e verbovisuais, com a finalidade de traçarmos as especificidades da obra de Bakhtin e seu Círculo.




M

KROCH, Anthony (University of Pennsilvanya)

Diachronic Syntax: statistical fingerprints of grammar change

This course will explore how grammar change can be detected and studied in historical texts and how the time course of change can be modeled mathematically. The core of the course will involve looking at the evidence for four basic principles of morphosyntactic change: (1) Change diffuses through a community by grammar competition; (2)As change diffuses through linguistic contexts, it obeys the Constant Rate Effect; (3) Usage options that are grammatically independent are also statistically independent in corpora; (4) Usage options not involved in ongoing grammatical change exhibit stability of frequency. These principles will be tested against data on word order change from existing corpora of the Germanic and Romance languages and cases that seem to violate them will be discussed.



M

LUCCHESI, Dante (UFBA) & RIBEIRO, Ilza (UFBA)

O Português Afro-Brasileiro: contato entre línguas e mudança lingüística

O curso aborda as teorias acerca das situações de contato entre línguas (particularmente os processos de pidginização e crioulização) aplicadas à análise da formação histórica da realidade lingüística brasileira. A base empírica é fornecida por análises de aspectos da morfossintaxe da gramática de comunidades rurais afro-brasileiras isoladas oriundas de antigos quilombos.




M

MENUZZI, Sérgio (UFRGS)

Semântica e Pragmática da Articulação Informacional

Este curso tem como objetivo apresentar uma visão panorâmica das principais questões colocadas pela “literatura clássica contemporânea” sobre a articulação informacional da frase. Serão temas do curso: (a) as distinções básicas no estudo da articulação informacional (informação nova/informação dada, tópico/comentário, tema/rema, foco/pressuposição); (b) os modos de expressão da articulação informacional nas línguas do mundo – isto é, suas relações com a estrutura sintática e entonacional das línguas; (c) a “interpretação” da articulação informacional – abordagens “procedurais” (baseadas na metáfora da “manutenção e atualização de arquivos”) vs. “semânticas” da articulação informacional (baseadas nas noções de “conjuntos de alternativas” e de “significados estruturados”); (d) a relação entre a articulação informacional e a estrutura hierárquica do discurso – teorias da estrutura hierárquica do discurso e o papel que reservam para a articulação informacional da frase (p.ex., abordagem QUD vs. SDRT).




M

ROTHSTEIN, Susan (Bar Ilan University) & LANDMAN, Fred (Tel Aviv University)

CourseTitle: to be announced

1. Why can’t we count mass?
Foundational issues in the semantics of mass predicates.
We will discuss the advantages and disadvantages of formulating the semantics
of mass predicates with structures without minimal building blocks (as in the
older tradition), structures with vague sets of building blocks (Chierchia),
structures with non-disjoint building blocks (Landman).
2. Non-individuated versus individuated mass nouns.
We will discuss various empirical cross-linguistic tests for telling apart
individuated mass nouns (like furniture) from non-individuated mass nouns (like
meat), and discuss theoretical proposals (in particular by Rothstein and by
Landman) for formalizing the distinction.
3. Parcelling and grinding.
-a. We will discuss various issues in the semantics of measure readings and
classifier/container readings (readings which are illustrated in the ambiguity in
(1)):
(1) I flushed three bottles of wine through the toilet.
-measure reading: wine to the amount of three bottles
-container reading: three bottles containing wine
-Issues here are, among others, the exact semantics of classifiers as parcelling
mass into count and plurals into groups, and the semantics of measures as
adjuncts to mass predicates (and what this means for measures on plural
predicates).
-b. The universal grinder as a mismatch-driven resolution mechanism.
In English we, famously, get a ground reading for dog in (2a):
(2) a. After the accident there was dog all over the floor
b. There is banana in the salad.
There is considerable cross-linguistic variation as to the possibilities of such
ground readings. We will discuss this, distinguish ground readings from related
readings for food-stuffs (as in 2b), and discuss the consequences for the
semantic analysis of grinding.




M

SILVA, Thaïs Cristófaro (UFMG)

Fonologia e Alfabetização

Ementa: Este curso discute a relação de aspectos fonológicos com a
alfabetização.

Objetivos: O objetivo central deste curso é discutir a natureza da
interferência da oralidade na escrita e também da escrita na oralidade
sob a perspectiva da fonologia. Objetivos adicionais são: a)
categorizar a natureza de fenômenos de interferência da oralidade na
escrita e da escrita na oralidade; b) discutir perspectivas didáticas
que possam contribuir para a formação do professor do Ensino
Fundamental, sobretudo, quanto a relação entre a oralidade e a escrita
e c) apresentar técnicas e métodos que possam contribuir com a
melhoria das atividades dos professores em sala de aula.

Conteúdo: 1. Leitura x Escrita; 2. Oralidade-escrita x
Escrita-oralidade; 3. Aspectos representacionais da fala e da escrita:
Letras x Sons; 4. Fonologia e Alfabetização.


TARDE (14h-18h)




T

ABAURRE, Bernadete (UNICAMP) & FIAD, Raquel (UNICAMP)

Discutindo o processo de aquisição da escrita: a aprendizagem da base alfabética e a produção de textos no ensino fundamental

Este minicurso tem por objetivo discutir aspectos relacionados à aquisição da escrita e ao trabalho com a produção de textos no ensino fundamental. Serão abordadas: (1) questões relacionadas à aquisição da escrita alfabética, focalizando-se a discussão da relação, registrada nas primeiras escritas, que os usuários de uma escrita de base fonográfica estabelecem com o componente fônico da linguagem, nos planos segmental e prosódico; 2) questões relacionadas ao trabalho com produção de textos, vinculando-se essa discussão ao processo de aquisição, ao longo do ensino fundamental, dos gêneros discursivos escritos.




T

CORRÊA, Manoel (USP)

A escrita na escola: o processo de constituição do texto e o papel do professor

A partir de discussões teóricas e exemplificações, o curso objetiva contribuir para o ensino da escrita na escola. Parte da idéia de que é possível associar o processo de constituição do texto (e do gênero do discurso) ao processo de desenvolvimento da escrita por parte do aluno. A questão central de partida é, portanto, não propriamente o trabalho com gêneros discursivos cristalizados, mas com o processo de sua constituição, tomando como noção central a de relações intergenéricas (Bakhtin, 1992). Três maneiras de abordar o processo de constituição do texto serão exemplificadas: a) por meio das relações intergenéricas; b) por meio da combinação de diferentes temporalidades; e, finalmente, c) por meio da representação social da escrita, envolvendo, neste último caso, três ênfases: na relação fala/escrita; na institucionalização de modelos pela escola e na relação dialógica entre a escrita atual e o contato com o já-falado escrito.




T

FARACO, Carlos Alberto (UFPR) & LAGARES, Xoán Carlos (UFF)

Políticas Linguísticas no Espaço Lusófono

Neste curso, vai se discutir histórica e criticamente a noção de LUSOFONIA. Será adotada uma concepção ampla e multicêntrica do espaço lusófono, explorando os muitos caminhos percorridos desde que se iniciou a expansão territorial e política do galego-português originário. Serão enfocadas algumas das várias teias políticas que enredam essa realidade histórica, social e cultural. Serão analisados dois casos em mais detalhes: a situação do português em Cabo Verde e a situação do galego na Espanha. As duas situações, embora muito diferentes entre si, favorecem a apreciação em profundidade de temas de política linguística, tais como questões relacionadas à coocorrência/concorrência de línguas, à normatização e à educação.




T

GALVES, Charlotte (UNICAMP)

Sintaxe Histórica: teoria e prática

O curso apresentará e discutirá estudos recentes sobre a sintaxe histórica do português baseados em corpus de textos anotados sintaticamente (cf. www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/corpus). Focalizará a gramática do português clássico, e discutirá as dinâmicas de mudança que levaram às vertentes modernas da língua em Portugal e no Brasil, comparando-as com outras situações de mudanças em outras línguas, em particular românicas e germânicas. O referencial teórico será o da Gramática Gerativa, que relaciona aquisição e mudança via fixação de parâmetros, com enfoque em desenvolvimentos recentes da teoria de parâmetros. A parte prática dirá respeito à construção e utilização de grandes corpora anotados.




T

KATO, Mary (UNICAMP) & MIOTO, Carlos (UFSC)

O Modelo Cartográfico e a Sintaxe do Português

O objetivo do curso é desenvolver uma discussão em torno do que vem sendo chamado “modelo cartográfico” na gramática gerativa, cujo interesse é refinar as projeções a partir das diversas categorias funcionais, identificando diferentes tipos de posições com determinadas interpretações. Seu intuito é o de dar conta da rica complexidade de cada domínio sintático sem perder a simplicidade e uniformidade descritivas que advém do Minimalismo. O curso ilustrará o modelo através de capítulos específicos da sintaxe do português, em especial do português brasileiro.




T

MADUREIRA, Sandra (PUC-SP) & CAMARGO, Zuleika (PUC-SP)

A Qualidade da Voz como Elemento Prosódico

[o curso será ministrado nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro]

Ementa: Este curso tem como objetivo abordar a qualidade de voz sob a perspectiva fonética. Serão abordados: o conceito de qualidade de voz; a unidade analítica de qualidade de voz, a descrição fonética (aspectos fisiológicos, acústicos e perceptivos) dos ajustes de qualidade de voz, o instrumento de avaliação perceptiva de qualidades de voz (VPAS e VPAS-BP) e as funções discursivas e expressivas das qualidades de voz.

Conteúdo: (i) A qualidade de voz como elemento prosódico; (ii) A qualidade de voz e a dinâmica de voz; (iii) Os ajustes de qualidade de voz: aspectos fisiológicos, acústicos e perceptivos; (iv) Introdução ao uso do VPAS; (v) Treinamento na produção e percepção dos ajustes; (vi) Os correlatos acústicos dos ajustes de qualidade de voz; (vii) As funções lingüísticas, paralingüísticas e extra-lingüísticas das qualidades de voz; (viii) Qualidades de voz e expressividade de fala.

Metodologia: aulas expositivas; demonstração de áudios e vídeos com ajustes de qualidade de voz; ilustração com dados de técnicas insstrumentais (endoscopia laríngea, laringoscopia, videoquimografia; eletroglotografia, análise acústica, entre outros), vivência na produção de ajustes e na análise perceptiva dos ajustes; inspeção de dados de análise acústica.




T

NEVINS, Andrew (University College London)

CourseTitle: An Advanced Course in Distributed Morphology: The Spellout of Basque Auxiliaries

This highly technical course assumes a basic background in Distributed
Morphology. Students should have working knowledge of Late Insertion,
the Subset Principle, and Impoverishment. All of the examples and
analysis will be drawn from Basque, with occasional crosslinguistic
parallels and predictions.

1. Overarching issues: multiple exponence, morpheme placement, feature
markedness, ordering of postsyntactic operations
2. A novel mechanism for fission
3. Feature Markedness: Impoverishment vs. Obliteration
4. Morphological Metathesis and Doubling
5. Feeding and Bleeding Relations in the MS Component




T

PAGANI, Luiz Arthur (UFPR)

Analisadores Gramaticais em Prolog

O objetivo deste minicurso é o de oferecer uma primeira introdução aos principais algoritmos usados pelos analisadores gramaticais. Do ponto de vista do processamento efetivo de uma expressão a fim de se determinar a sua (a)gramaticalidade e, em caso positivo, a sua estrutura gramatical, um analisador gramatical pode ser definido como um dispositivo (não necessariamente físico, ainda que computacional) que toma como entradas uma expressão lingüística e uma gramática (um conjunto de regras de formação e um léxico), e apresenta como resultado a estrutura gramatical daquela expressão de acordo com aquela gramática. Esta operação de inferência de uma estrutura subliminar (já que a realização da expressão lingüística ocorre exclusivamente através de um encademanto linear, e muitas das relações gramaticais se estabelecem através de uma estrutura hierarquizada que se estabelece além da linearidade) apresenta inúmeros desafios, dependendo da natureza da gramática e do tipo das estruturas a serem inferidas. Assim, neste curso serão apresentados os algoritmos que exemplificam os tipos de analisadores em suas principais dimensões: a busca ascendente ou descendente, a busca em profundidade ou em largura, a identificação de análises alternativas através de retrocesso de processamento ou de armazenamento de informações parciais. Além de serem apresentados abstratamente, os analisadores também serão vistos em versões implementadas em Prolog, de forma a permitir uma visualização mais concreta do funcionamento efetivo daqueles algoritmos. Assim, este minicurso pode interessar não apenas aos pesquisadores em Lingüística Computacional, no qual os analisadores gramaticais são empregados para identificar as estruturas gramaticais das expressões lingüísticas, mas também a psicolingüistas interessados em compreender questões do processamento humano das expressões lingüísticas.




T

POSSENTI, Sírio (UNICAMP)

Discurso humorístico: produção, circulação, análise

O curso tratará, em primeiro lugar dos temas e das técnicas, mais características dos textos humorísticos, com ênfase maior nas técnicas. Caracterizará alguns dos gêneros correntes, considerando mais seu espaço de circulação do que seu formato, como deveria ser óbvio. Haverá destaque, também, das questões de interpretação que o hujmor põe ao analista, para o que serão invocados conceitos como os de interdiscurso e memória, entre outros. Finalmente, serão expostos sumários de algumas das principais doutrinas sobre o humor.




T

SCHER, Ana Paula (USP)

Introdução à Teoria da Morfologia Distribuída

Esse curso pretende apresentar aos estudantes a teoria morfossintática da Morfologia Distribuída, propiciando-lhes condições para refletir sobre a natureza da interface entre a morfologia e a sintaxe, bem como sobre a necessidade ou não de se postular a existência de módulos gramaticais específicos e distintos para a formação de palavras e de sentenças. A discussão sobre o lugar da morfologia em relação aos outros componentes da gramática ocupa posição importante entre as questões em debate na teoria linguística atual. Em particular, sua relação com a sintaxe e a fonologia, bem como o tipo e o montante de informações que a morfologia pode fornecer sobre a sintaxe, vêm despertando o interesse de muitos pesquisadores. Nessa introdução ao modelo da Morfologia Distribuída, apresentaremos algumas distinções entre esse e alguns modelos lexicalistas de análise linguística. Boa parte do curso se destinará a familiarizar o estudante com os mecanismos da Morfologia Distribuída, sem, entretanto, deixar de abordar a natureza das interfaces entre a morfologia e a sintaxe e entre a morfologia e a fonologia. No detalhe, trataremos da organização dos traços morfossintáticos e da possibilidade de existirem fases sintáticas também no nível da palavra.



T

YANG, Charles (University of Pennsylvania)

UG, Statistics or Both?

In these lectures, we discuss the proper place of distributional information in the study of language. We give examples where the effectiveness of probabilistic mechanisms of learning ranges from critical to negligible, with some more open cases in between. In all these studies, structural constraints that are specific to human language appear instrumental to the success of language acquisition and use.